No dia 4 de julho, acordei cedo e muito tranquila. Seria o último dia que iria sentir a Maria Carolina dentro da barriga e que a ia ter só para mim.
Tomei um pequeno-almoço muito leve, porque teria que estar em jejum durante seis horas.
Tomei banho, arranjei o cabelo, maquilhei-me e vesti-me, sempre muito calma e serena.
Estávamos prontos para sair de casa ainda antes da hora marcada e assim o fizemos para irmos com calma.
Tínhamos combinado com a enfermeira parteira estar na Casa de Saúde da Boavista às 11:30h mas chegamos antes das 11horas.
Fizemos a entrada e eu fui encaminhada para
o nosso quarto e o M. para a secretaria para tratar da papelada.
Todo um quarto cor-de-rosa preparado para receber a Maria Carolina.
Deram-me uma bata branca e rosa para vestir e disseram para aguardar a chegada da enfermeira parteira.
A enfermeira chegou antes do M. e disse que me iria colocar o catéter, aí posso dizer que entrei em pânico, detesto agulhas e o M. não estava lá para me dar a mão. Mas respirei fundo e ela colocou, doeu mas não me queixei, afinal ia ser mãe e aquilo era só um catéter na mão. Pensei para mim se este doeu imagina a epidural.
Fiquei no quarto sozinha à espera da chegada do M. mas não havia maneira de ele aparecer, mas sentia-me estranhamente calma para a pessoa stressada que sou.
Quando apareceu o anestesista, um médico tão simpático. Disse que ia colocar o catéter da epidural. Pensei novamente, onde está o M. para me dar a mão? Continuava sem aparecer... Então pensei para mim, vais respirar fundo e fazer tudo o que te dizem.
Então segui todas as recomendações do anestesista e ao contrário do que eu pensava não me doeu nada. Confesso que era o que tinha mais medo, a epidural.
O M. chegou já no final e estava em pânico quando soube que eu estava a colocar a epidural e ele não estava lá. Quando ele viu que eu estava calma ficou mais tranquilo.
Deitei-me na cama e ficamos ali a conversar.
O parto estava marcado para as 14:30h mas ainda faltava algum tempo e eu continuava tranquila.
Quando passava pouco das 13:30h a enfermeira parteira veio buscar-nos e a minha reação foi: "já??", mas pensei para mim: " Joana, vais manter-te como estiveste até agora, calma e serena.
Assim foi, fui encaminhada para a sala de partos e o M. para vestir a bata.
Já no bloco foi-me administrada a epidural e aí comecei a deixar de sentir as pernas e a barriga. Entretanto chegou o M. e o meu obstetra é estava tudo preparado para começar a cesariana.
Foi cesariana porque a Maria Carolina estava sentada.
A partir daí, parece que passaram segundos, comecei a ouvir: "umas perninhas, um rabinho, um ombrinho, a cabecinha" baixa a cortina, ouvimos o choro da princesa, eles levantam-na para a vermos e levaram-na para lavar e vestir.
É uma emoção tão grande, ver o fruto do nosso amor, ali diante de nós e sentir um amor inexplicável só naqueles primeiros segundos.
A Maria Carolina tinha um choro muito forte e que acalmou quando ouviu a voz do pai.
Estava eu no bloco a terminar a cirurgia, quando o M. chegou com ela nos braços.
Aí as lágrimas caíram-me pela cara abaixo e só conseguia dizer que ela era linda e sorrir ao mesmo tempo para o M.
Depois fui encaminhada para o quarto e o M. e a Maria Carolina foram sempre comigo.
Nunca mais nos largamos os três.
É sem dúvida um amor para a vida toda.
É um momento incrível que não tem explicação.
Estamos completamente apaixonados pela nossa princesa.




